iUP25k premeia ideia para descarbonizar calor industrial

  O calor industrial representa cerca de 25% do consumo global de energia, dos quais 80% provém de combustíveis fósseis. O resultado? Uma significativa emissão de CO₂ por ano – mais de 8 gigatoneladas - e uma exposição da indústria a custos energéticos elevados e preços voláteis. Encontrar uma solução foi o que motivou João Pedro Freitas e Vicente Portela da Silva, dois estudantes da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP). O projeto Latent Energy Systems foi o grande vencedor da 12ª edição do iUP25k – Concurso de Ideias de Negócio da Universidade do Porto. Os alunos são orientados por Adélio Mendes, professor na FEUP, e Tânia Lopes, investigadora na mesma faculdade. “O projeto dedica-se à descarbonização do setor de calor industrial, propondo uma bateria térmica inovadora que armazena eletricidade renovável, produzida localmente ou proveniente da rede, e fornece calor quando a indústria precisa”, explicam os inventores. As baterias térmicas pensadas por esta equipa fornecem, assim, “uma alternativa sustentável às caldeiras convencionais a gás natural, possibilitando armazenamento e fornecimento de calor sem emissões e a baixo custo”. Para a equipa, o iUP25k foi um “excelente ponto de partida”, que lhes permitiu saltar do ambiente académico para uma perspetiva mais orientada para o mercado. A cereja no topo do bolo foi conquistar o primeiro lugar e, com ele, veio “uma motivação extra e a credibilidade necessária para levar o projeto em frente e atrair os parceiros certos”. Além do prémio monetário, a equipa terá acesso à School of Startups (Foundations e Entrepreneurs) da UPTEC, para aprofundarem os conceitos e ações de mercado, algo que consideram “vital para transformar a ideia num negócio escalável”. O prémio em dinheiro será canalizado para “custos operacionais de arranque, como o desenvolvimento da identidade de marca, ações de disseminação e consultoria legal para a futura constituição da empresa”. A equipa está focada em concluir a integração do protótipo que já têm iniciada num edifício do campus da Sonae, o que lhes permitirá validar a tecnologia em ambiente real. “Em paralelo, vamos avançar com o desenvolvimento e construção do nosso MVP (Produto Mínimo Viável) com uma capacidade de armazenamento de 150 kWh. Este será o passo intermédio crucial para demonstrar a viabilidade do sistema antes de escalarmos para as potências de larga escala que o mercado industrial exige.”, concluem. Impulsionar a inovação em oncologia e combater alguns dos cancros mais agressivos No segundo lugar desta edição do iUP25k ficou o projeto LION Therapeutics, desenvolvido por cinco investigadores do LAQV/REQUIMTE, da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP): Sara Reis, Ivo Dias, Xavier Correia, Hugo Almeida e Maria Cardoso. A LION está a desenvolver uma terapia de nova geração para o cancro do pâncreas, um dos tipos de cancro mais letais e com opções terapêuticas limitadas – mas que também pode ser utilizada noutros cancros igualmente difíceis de tratar. Esta tecnologia pioneira “atua sobre o recetor da vitamina D através de moduladores baseados em ácido litocólico”, explicam os investigadores. A abordagem combina “design molecular inovador com processos de síntese escaláveis, permitindo terapias mais seguras, com elevado potencial de aplicação clínica e industrial”, acresentam. “Hoje o cancro pancreático ainda é uma sentença e nós queremos transformar o futuro das suas terapias” – referiram durante o momento de pitch. Assim, consideram que a distinção no iUP25k foi um “importante reconhecimento da qualidade científica, do potencial de inovação e da relevância desta tecnologia”. Os prémios serão aplicados em duas vertentes complementares: o pecuniário servirá para reforçar a estratégia de desenvolvimento pré-clínico, “apoiando estudos biológicos adicionais, a validação farmacológica da abordagem terapêutica e proteção da propriedade industrial”, referiram. A equipa também terá acesso ao School of Startups e a consultoria especializada em empreendedorismo – providenciada pela Astrolábio, parceira desta edição do iUP25k – o que permitirá fortalecer as competências da equipa em negócio, estratégia e valorização tecnológica. A equipa vai continuar a validação biológica da tecnologia em modelos celulares de cancro pancreático, de modo a aprofundar a compreensão do seu mecanismo de ação. Ao mesmo tempo, vão continuar à procura de oportunidades de financiamento e parcerias estratégicas que permitam “acelerar a transição para estudos pré-clínicos mais avançados, de modo a gerar a evidência científica necessária para valorizar a tecnologia e preparar futuras negociações de licenciamento e desenvolvimento industrial”, concluem. Uma solução baseada em leite materno para avançar a cicatrização de feridas difíceis A fechar o pódio desta edição do concurso de ideias da Universidade do Porto ficou o projeto Matera, um “produto inovador inspirado no potencial regenerativo do leite materno e destinado ao tratamento de feridas cirúrgicas de difícil cicatrização em doentes oncológicos”. A explicação é de Carla Abreu, investigadora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e responsável pela ideia. Ao contrário das soluções atualmente disponíveis, que se focam principalmente na gestão e proteção do local da ferida, o Matera “pretende ir mais além”, explica Carla Abreu, “promovendo ativamente a regeneração dos tecidos e ajudando o organismo a retomar o processo natural de cicatrização”. Estas feridas podem permanecer abertas durante semanas ou meses, aumentando o risco de infeção e obrigando a muitas consultas, tratamentos e, por vezes, novas intervenções cirúrgicas. O Matera pretende, assim, “reduzir o tempo de recuperação, a necessidade de cuidados prolongados e também o impacto na qualidade de vida dos doentes”, utilizando componentes bioativos do leite materno integrados num hidrogel avançado, explorando assim um recurso biológico feminino acessível, mas atualmente subvalorizado. Para Carla Abreu, o 3º lugar no iUP representa uma importante validação externa para o projeto Matera. “Embora a ideia já venha a ser discutida em ambiente académico, o reconhecimento por parte de um júri reforçou a confiança no seu potencial de inovação e real impacto clínico”, diz a investigadora que regressou recentemente à academia após vários anos na indústria. O prémio será utilizado para preparar candidaturas e identificar oportunidades de financiamento para gerar a prova de conceito experimental da tecnologia. Na School of Startups pretende “adquirir competências em empreendedorismo e validação de negócio”. A curto prazo, o projeto Matera vai estar focado na consolidação do plano científico e experimental do projeto e na submissão de candidaturas a programas de financiamento. “O objetivo será obter os recursos necessários para o desenvolvimento experimental do projeto, bem como para a realização de estudos pré-clínicos, criando condições mais favoráveis à constituição de uma start-up e captação de investimento privado”. "O iUP25k está em linha com o compromisso da Universidade do Porto com a inovação" Realizada no passado dia 2 de junho, no Auditório da UPTEC Asprela I, a final do iUP25k 2026 fechou com chave de ouro mais uma edição de uma iniciativa que é já vista como um dos mais emblemáticos eventos de promoção do empreendedorismo na instituição. Ao longo de 12 edições o iUP25k já recebeu mais de 440 candidaturas e atribuiu um total de 300 mil euros em prémios. Este ano, o concurso contou com o apoio da Caixa Geral de Depósitos, da Astrolábio e da UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da U.Porto e o júri foi constituído por Abel Reis (Astrolábio), Rita Matis (Faber VC) e Susana Pinheiro (UPTEC). Recorde-se que, durante três dias, as equipas participaram no BIP Ignition, que lhes permitiu não só obter consultoria especializada e aconselhamento sobre como melhorar os seus projetos, mas também acompanhamento dos pitchs para a sessão final. Esta tarefa esteve a cargo da Astrolábio. “Sei que os pitches foram todos de extrema qualidade e felicito todos por isso. Fazer estas apresentações permite-vos chegar a mais gente, e isso é muito importante” referiu Pedro Rodrigues, Vice-Reitor da U.Porto para a Investigação e Inovação, no momento em que anunciou os vencedores. Pedro Rodrigues acrescentou ainda que “o iUP25k é uma das iniciativas da Universidade do Porto em linha com o compromisso da instituição com a inovação”. O Vice-Reitor referiu ainda que a U.Porto é “um ecossistema muito alargado, que faz muitas coisas e tem muitas portas abertas”, incentivado as equipas a estarem atentas a todas as oportunidades que possam surgir. “É importante que conheçam a Universidade como um todo e que isso incentive o surgimento de novas ideias, projetos e empresas com impacto”, concluiu.   Esta edição do iUP25k contou com o apoio da Caixa Geral de Depósitos, da UPTEC e da Astrolábio.  

U.Porto Inovação recebe Colep em sessão A2B

  Esta semana a equipa da U.Porto Inovação recebeu a visita de Rui Duarte, representante da Colep Consumer Products, uma empresa multinacional da área dos cosméticos, cuidados pessoais e bem-estar, oferecendo soluções de fabrico por contrato e produtos de design inovador. Esta é a segunda vez que o grupo participa numa sessão A2B – Academia to Business, organizada pela U.Porto Inovação. O primeiro encontro aconteceu em 2017. Apesar de terem passado perto de dez anos, o diálogo entre a equipa da Universidade do Porto e a Colep não esmoreceu, pelo contrário, tem sido intensificado por ambos os lados verem no outro possibilidades de cooperação mútuas e frutíferas. Nesta sessão estiveram presentes três investigadoras da U.Porto, que tiveram oportunidade de apresentar os seus projetos à empresa. Filipa Grosso, investigadora do UCIBIO-I4HB e da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (FFUP) apresentou uma tecnologia inovadora que utiliza uma bactéria específica para produzir 2-feniletanol, um composto aromático natural com cheiro a rosas, amplamente utilizado nas indústrias de fragâncias, cosmética e alimentar. O projeto desenvolveu e otimizou a produção em laboratório através de análises genéticas e testes com matérias-primas alternativas mais baratas, tornando o processo mais eficiente e económico. Esta tecnologia já se encontra protegida por uma patente internacional. Já Isabel Almeida e Sandra Mota, das mesmas unidades de investigação, apresentaram um projeto que pretende encontrar estratégias que aumentem a sustentabilidade dos produtos cosméticos através da utilização e valorização de subprodutos da indústria corticeira: por um lado, através do desenvolvimento de formulações inovadoras e, por outro, através da obtenção de novos ingredientes cosméticos seguindo o conceito de Safe and Sustainable by Design.  Deste projeto nasceu a "MakeUPpeel - cosmetics with easy peel removal", uma tecnologia inovadora que revoluciona a forma como removemos a maquilhagem através de um sistema peel-off. O conceito combina dois produtos: uma base de maquilhagem e um spray hidratante e revitalizante. Ao aplicar o spray sobre a base, a maquilhagem transforma-se numa fina película que se retira facilmente com as mãos, sem deixar resíduos. Além de utilizar ingredientes mais sustentáveis, seguros e económicos, esta tecnologia reduz drasticamente o consumo de água, de discos de algodão e de desmaquilhantes tradicionais. Uma aposta contínua em apoiar o esforço de inovação da indústria Como acontece em todas as sessões A2B, o propósito deste encontro foi promover o contacto direto com o tecido empresarial, percebendo os seus desafios de inovação, além de contribuir para a disseminação dos resultados de investigação da U.Porto. A U.Porto e a Colep Consumer Products pretendem continuar o diálogo, pelo que a esta A2B se seguirá, em breve, uma visita ao Innovation Hub da Colep, localizado em Vale de Cambra, onde cientistas da U.Porto, representando estes e outros projetos na área da cosmética, poderão visitar a fábrica e conhecer os laboratórios de inovação. As sessões A2B mostram mais uma vez como servem a 3ª missão da Universidade do Porto, que consiste numa maior aproximação da mesma à indústria, bem como por uma mais eficaz valorização económica e social do conhecimento gerado na Universidade. Desde a primeira sessão, em 2011, já se realizaram mais de 70 encontros. Pode conhecer mais um pouco sobre a história das sessões A2B aqui.   Se acha que a sua empresa pode beneficiar de uma sessão A2B contacte-nos!   Esta sessão contou com o apoio do UI-Transfer 2.0, um projeto cofinanciado pela União Europeia através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, enquadrado no Programa Operacional Competitividade e Internacionalização (COMPETE 2030) do Portugal 2030.  

BIP Acceleration regressa para elevar ideias da U.Porto!

Com mais de 10 mil euros em prémios, o BIP Acceleration está de volta para a sua 5ª edição. O objetivo é ajudar equipas de investigação da U.Porto a transformar projetos em negócios. Os participantes selecionados terão a oportunidade de estruturar e validar ideias inovadoras para potencializar modelos de negócio com potencial de mercado e impacto. Este ano, o programa estará a cargo da Porto Business School (PBS). A Caixa Geral de Depósitos e a UPTEC também voltam a ser parceiros da iniciativa. As candidaturas ao BIP Acceleration estão abertas até ao dia 29 de junho, às 18h00 (hora de Portugal continental) através do formulário já disponível nesta plataforma. Algumas informações úteis: Os interessados em participar devem apresentar um projeto de valorização de resultados de investigação desenvolvida nas faculdades/centros de investigação da U.Porto ou numa das entidades participadas incluídas no perímetro de consolidação da U.Porto;  Podem concorrer individualmente ou em equipa – a equipa pode ter, no máximo, cinco elementos;  São elegíveis projetos de áreas criativas, tecnológicas ou de conhecimento intensivo;  A candidatura deve apresentar sempre um projeto de valorização de resultados de investigação desenvolvida ou numa faculdade/centro de investigação da U.Porto ou numa das entidades participadas incluídas no perímetro de consolidação da U.Porto.  A candidatura deverá ser acompanhada por uma declaração de apoio da Direção da Entidade Constitutiva ou Entidade Participada na qual o/a proponente principal do projeto tem afiliação. Essa declaração deve estar assinada. A minuta está disponível para download no site do programa. Não serão elegíveis projetos que tenham participado em anteriores edições do Bip Acceleration e do Business Ignition Programme. Não serão elegíveis projetos com empresa já constituída. Participantes em edições passadas do iUP25k podem concorrer.  O valor monetário do prémio será alocado à instituição de onde provém o projeto, não ao investigador, ou investigadores, a título pessoal. Os 10 projetos com melhor classificação ganharão acesso ao programa, a ter início no mês de setembro (ver datas aqui). Serão 8 workshops imersivos de 4 horas, a cargo da Porto Business School, com muito trabalho de equipa para acelerar a interação e o desenvolvimento de negócios com base em conhecimento científico, tecnológico e criativo nascido na Universidade do Porto. O módulo de propriedade intelectual ficará a cargo da equipa da U.Porto Inovação. O programa culmina numa sessão aberta ao público, a ter lugar na PBS no dia 22 de setembro, onde os finalistas terão oportunidade de apresentar o pitch do projeto a agentes de inovação e empreendedorismo do ecossistema. No final, serão distinguidos três vencedores, com os seguintes prémios: 1º lugar – 5.000€ e período de incubação na UPTEC; 2º lugar - 30000€; 3º lugar - 2000€. As três equipas vão receber também acesso ao programa School of Startups: Foundations da UPTEC.  Toda a informação sobre a competição pode ser encontrada aqui. Estão também disponíveis, para consulta, as linhas orientadoras. Dúvidas sobre elegibilidade, candidaturas e funcionamento do BIP Acceleration deverão ser endereçadas a bip@reit.up.pt Sobre o BIP Acceleration Esta é a quinta edição da iniciativa organizada pela U.Porto Inovação para equipas que queiram testar e validar o modelo de negócio da sua invetigação . Nas quatro edições anteriores foram distinguidos12 projetos, num total de 37 mil euros em prémios.  A última edição distinguiu uma tecnologia sustentável para a eletrónica que consiste numa nova forma de impressão de circuitos eletrónicos flexíveis (EcoWires) e também os projetos ALVA e VANTAGE 4MB. O primeiro pretende ser uma promissora alternativa de tratamento oncológico e o segundo é uma plataforma in vivo que possibilita estudar melhor o comportamento do meduloblastoma, um tumor cerebral infantil extremamente agressivo.  O BIP Acceleration 2026 tem o apoio da Caixa de Geral de Depósitos e a parceria da Porto Business School e da UPTEC.

BIP ACCELERATION 2026: candidaturas abertas!

De: 
01/06/2026
Até: 
29/06/2026

 

O BIP Acceleration está de volta! Com 10.000€ em prémios, as candidaturas estão abertas até ao dia 29 de junho, às 18h00 (hora de Portugal continental).

Este programa de aceleração da Universidade do Porto ajuda equipas de investigação a transformar projetos em negócios. O objetivo é estruturar e validar ideias inovadoras para potencializar modelos de negócio com potencial de mercado e impacto. Este ano, o programa será realizado pela Porto Business School (PBS).

As/os cientistas com interesse em participar devem apresentar um projeto de valorização de resultados de investigação desenvolvida nas faculdades/centros de investigação da U.Porto ou numa das entidades participadas incluídas no perímetro de consolidação da U.Porto. Poderão concorrer, individualmente ou em equipa (máximo cinco elementos), projetos de áreas criativas, tecnológicas ou de conhecimento intensivo. Seja qual for o cenário, a candidatura deve apresentar um projeto de valorização de resultados de investigação desenvolvida ou numa faculdade/centro de investigação da U.Porto ou numa das entidades participadas incluídas no perímetro de consolidação da U.Porto.

Os 10 projetos com melhor classificação ganharão acesso ao programa, a ter início no mês de setembro (ver datas aqui). Serão 8 workshops imersivos de 4 horas, a cargo da Porto Business School, com muito trabalho de equipa para acelerar a interação e o desenvolvimento de negócios com base em conhecimento científico, tecnológico e criativo nascido na Universidade do Porto. O módulo de propriedade intelectual ficará a cargo da equipa da U.Porto Inovação.

O programa culmina numa sessão aberta ao público, a ter lugar na PBS no dia 22 de setembro, onde os finalistas terão oportunidade de apresentar o pitch do projeto a agentes de inovação e empreendedorismo do ecossistema. No final, serão distinguidos três vencedores, com os seguintes prémios: 1º lugar – 5.000€ e período de incubação na UPTEC; 2º lugar - 3000€; 3º lugar - 2000€. As três equipas vão receber também acesso ao programa School of Startups: Foundations da UPTEC.

Participar é muito simples, através do formulário já disponível nesta plataforma.

Informação importante:

  • A candidatura deverá ser acompanhada por uma declaração de apoio da Direção da Entidade Constitutiva ou Entidade Participada na qual o/a proponente principal do projeto tem afiliação. Essa declaração deve estar assinada. A minuta está disponível para download no site do programa.
  • Não serão elegíveis projetos que tenham participado em anteriores edições do Bip Acceleration e do Business Ignition Programme.
  • Não serão elegíveis projetos com empresa já constituída.
  • Participantes em edições passadas do iUP25k podem concorrer. 
  • O valor monetário do prémio será alocado à instituição de onde provém o projeto, não ao investigador, ou investigadores, a título pessoal.

Toda a informação sobre a competição pode ser encontrada aqui. Estão também disponíveis, para consulta, as linhas orientadoras.

Dúvidas sobre elegibilidade, candidaturas e funcionamento do BIP Acceleration deverão ser endereçadas a bip@reit.up.pt
 

O BIP Acceleration 2026 tem o apoio da Caixa de Geral de Depósitos e a parceria da Porto Business School e da UPTEC.

The Circle comemora o seu 10º aniversário!

  Voltando a ter o rio Douro como pano de fundo, o The Circle – clube de empresas spin-off da Universidade do Porto – encontrou-se no passado 15 de maio, durante a SIM Conference. Desta vez, o mote do encontro foi o assinalar de uma data muito especial para a rede: a comemoração do seu 10º aniversário. Sendo a SIM Conference um evento de referência na cidade do Porto, destinado a start-ups e investidores, o ambiente não podia ser melhor. Mais de uma dezena de empresas spin-off juntaram-se ao momento de networking e celebração, tendo a oportunidade de ouvir uma das pessoas responsáveis pela criação do The Circle. Corria o ano de 2016 quando Carlos Brito, na altura Pró-Reitor da Universidade do Porto, impulsionou a criação desta inovadora rede de empresas, pois acreditava “profundamente que a inovação não nasce isolada”, disse. “Ela emerge, sim, em ecossistemas vivos, alimentados por espíritos empreendedores, pela partilha de conhecimento e por um forte sentido de comunidade”, disse Carlos Brito aos presentes no encontro. Clube, rede, ou até tribo. Todos os termos se aplicam quando falamos de uma verdadeira capacidade de “crescer em rede, aprender com os pares e afirmar-se nas cadeias de valor mais dinâmicas do mundo”, acrescentou Carlos Brito. E é isso que o The Circle tem sido ao longo dos últimos dez anos, apoiado pelos seus parceiros (Caixa Geral de Depósitos, Câmara Municipal do Porto, UPTEC, Porto Business School e AICEP) – e mesmo antes de o grupo de empresas se reunir nesta rede inovadora, pois o caminho de apoio às start-ups nascidas no seio da Universidade do Porto começou anos antes. A primeira empresa spin-off U.Porto recebeu a chancela em 2010. Desde então, o selo já foi atribuído a 147 empresas, provenientes de praticamente todas as faculdades da U.Porto, mas também de entidades como CIIMAR, INESC TEC, INEGI ou UPTEC. À data, mais de 120 empresas estão ativas e em funcionamento. A rede reúne, pelo menos, uma vez por ano, em fóruns onde se debatem os principais desafios colocados às empresas que se inserem nas mais dinâmicas cadeias de valor a nível global. Desde a sua fundação, em 2016, o The Circle já reuniu mais de dez vezes em diferentes locais emblemáticos tanto da Universidade do Porto como da cidade.  Juntas, as spin-offs U.Porto geriam, no final de 2025, mais de 70 patentes, geraram mais de 115 milhões de euros de volume de negócios e já contribuíram para a criação de mais de 1800 postos de trabalho. Informação mais detalhada sobre a rede de empresas spin-off U.Porto pode ser encontrada na brochura anual do The Circle, aqui. “Ao longo desta década, o The Circle demonstrou que a proximidade entre universidade, investigação, inovação, empreendedorismo e empresas pode gerar muito mais do que negócios: cria confiança, acelera talento, potencia colaboração e reforça a capacidade de transformar conhecimento em soluções com impacto real na economia e na sociedade. Ver este projeto consolidado é, por isso, motivo de enorme satisfação e orgulho”, concluiu Carlos Brito.  O encontro prosseguiu com as habituais trocas de experiências dos participantes, dando a conhecer as suas empresas e respetivos serviços. E, como não podia deixar de ser, muito networking e convívio, com todos os motivos para celebrar e brindar a um futuro próspero para a inovação da Universidade. Mais informações sobre o The Circle podem ser encontradas aqui. Fotografias: Hugo Barreleiro, Ricardo Castelo, Ricardo Meireles, Pedro Granadeiro e Miguel Ribeiro Fernandes (Startup Portugal)

Biovance Capital visita equipa da U.Porto Inovação

  Na semana passada a U.Porto Inovação recebeu a visita de Hannah Franklin, representando a Biovance Capital. Falamos de uma sociedade de capital de risco focada no setor da saúde e da biotecnologia, cuja missão principal é apoiar e financiar o desenvolvimento de novas terapêuticas e medicamentos inovadores em fase inicial (seed e Série A) por toda a Europa. Nesta sessão A2B – Academia to Business participaram sete pessoas, incluindo a U.Porto Inovação. O objetivo do encontro foi apresentar alguns projetos da Universidade do Porto potencialmente interessantes para uma futura oportunidade de investimento para a Biovance Capital. Assim, depois de uma apresentação da empresa, foram apresentados três projetos “made in” U.Porto: BNANOTECH, PAM4PD e PEPILSKIN. BNANOTECH – que também é uma empresa spin-off da U.Porto - foi apresentado por Joana Loureiro da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP). Consiste numa tecnologia baseada em sistemas de libertação controlada de fármacos, desenvolvida para levar os fármacos diretamente ao cérebro. Esta abordagem permite a entrega direcionada dos fármacos nas zonas cerebrais afetadas, potenciando assim os seus efeitos terapêuticos. Ivo Dias, investigador da REQUIMTE, apresentou o PAM4PD. Este projeto centra-se no desenvolvimento de terapias de nova geração baseadas em azapéptidos da melanostatina para a doença de Parkinson e outros distúrbios do sistema nervoso central relacionados com a dopamina, através da modulação seletiva dos recetores D2. A tecnologia visa melhorar a eficácia terapêutica da levodopa, fármaco atualmente usado no tratamento da doença, oferecendo uma estratégia farmacológica inédita para reduzir a discinesia induzida por levodopa, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dos doentes. Está a ser desenvolvido por uma equipa que inclui investigadores da U.Porto mas também as Universidades de Santiago de Compostela e do País Basco. Por fim, mas não por último, Ricardo Ferraz, do P.Porto, apresentou o PEPILSKIN, uma nova abordagem para as úlceras do pé diabético. Consiste na conjugação de um péptido regenerador da pele com um líquido iónico com propriedades antimicrobianas. Como resultado, obteve-se um hidrogel para aplicação tópica com dupla ação antimicrobiana e regeneradora da pele, que penetra na ferida, adapta-se às suas irregularidades e não é suscetível de induzir resistência antimicrobiana. Este produto tem potencial para ser aplicado também a outras doenças de pele e está a ser desenvolvido numa parceria entre U.Porto, REQUIMTE e P.Porto. Os projetos PAMPD e PEPILSKIN foram, inclusivamente, selecionados para receber financiamento numa das últimas edições do BIP PROOF – o programa de provas de conceito da Universidade do Porto. As candidaturas à edição deste ano abrem em breve! A Biovance Capital mostrou interesse em manter o diálogo com as equipas e disponibilidade em agendar uma nova reunião, ainda este ano, quer para fazer seguimento destes projetos quer para conhecer outros da Universidade do Porto. Esta sessão contou com o apoio do UI-Transfer 2.0, um projeto cofinanciado pela União Europeia através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, enquadrado no Programa Operacional Competitividade e Internacionalização (COMPETE 2030) do Portugal 2030.

À conversa com as empresas: Ecoinside

  A Ecoinside - Sustentabilidade e Ecoeficiência tem como missão “projetar soluções e tecnologias inovadoras que potenciem o desenvolvimento das empresas e das cidades, que contribuam para a descarbonização da economia, para a transição energética e para mitigar as alterações climáticas”. Com essa visão diária, a Ecoinside acompanha organizações que querem alinhar desempenho económico com responsabilidade ambiental e social, procurando ser uma referência na matéria da ecoeficiência e da sustentabilidade. A empresa foi uma das primeiras empresas com génese na Universidade do Porto a receber a chancela spin-off. Celebram este ano 20 anos de existência e de muitas conquistas, prémios e missões cumpridas. "Agimos hoje para que nada falte amanhã" - referem como o seu mote. Vamos conhecê-los melhor? 1. Como é um típico dia de trabalho na Ecoinside? Um dia típico na Ecoinside cruza terreno e estratégia, planeamento e execução. Há equipas no terreno, a instalar ou a acompanhar centrais fotovoltaicas, soluções de mobilidade elétrica e outros projetos de eficiência energética, enquanto outras estão em gabinete a desenhar novas soluções, a analisar dados, a preparar propostas e a garantir que cada projeto responde bem às necessidades de cada cliente.   Ao mesmo tempo, há um trabalho constante de articulação entre engenharia, operação e gestão, para prioridades, resolver desafios e assegurar que tudo avança com qualidade e dentro dos prazos. Isso faz com que os dias sejam muito dinâmicos, porque tanto podemos estar focados num detalhe técnico como, logo a seguir, numa decisão estratégica ou numa reunião com um cliente.   No fundo, o dia a dia na Ecoinside tem muito de energia em movimento: pensar, construir, ajustar, acompanhar e melhorar continuamente. E talvez seja isso que o torna tão estimulante — saber que o nosso trabalho combina visão, capacidade de execução e impacto real no terreno.   2. O que fazem, enquanto equipa, quando se sentem menos criativos ou animados? Quando a criatividade ou a energia baixam, a primeira coisa que fazemos é criar espaço para parar, falar e respirar. Partilhamos o que nos está a bloquear, trocamos perspetivas e, muitas vezes, mudamos de contexto durante algum tempo — por exemplo, alguém da engenharia senta-se com alguém das operações, ou juntamos pessoas de projetos diferentes à mesma mesa.   Também valorizamos momentos informais — um café, um almoço em conjunto, uma pequena celebração depois de fecharmos um projeto exigente — porque sabemos que a motivação raramente se recupera sozinho em frente ao ecrã. A filosofia Thrive que estamos a construir lembra-nos precisamente isso: cuidar das pessoas é condição para fazermos melhor trabalho.    3. Porquê o nome Ecoinside? O nosso nome original era Ecoin, mas poucos meses após a fundarmos, uma empresa da área da contabilidade com essa designação apresentou um pedido junto do IRN para que deixássemos de o poder usar. Isso obrigou-nos a encontrar uma alternativa, sem perder a ideia de base que estava na origem do nome. Entre as hipóteses que equacionámos — Ecoinside e Ecoindoor — sentimos que Ecoinside era a que melhor traduzia o que queríamos afirmar: a sustentabilidade não como algo decorativo ou exterior, mas como algo que deve estar inside, dentro das organizações, das decisões e da forma de trabalhar. No fundo, o novo nome acabou por reforçar ainda mais a nossa identidade e a visão com que sempre quisemos construir a empresa.   4. Quem é a pessoa mais divertida da empresa? A Joana e o Fernando são, sem dúvida, quem alegra a equipa a todo o momento.   5. Se pudessem escolher um só sonho a alcançar com a Ecoinside, qual seria? Se tivéssemos de escolher um só sonho, seria tornarmo-nos uma referência europeia na conceção e implementação de estratégias e tecnologias que ajudem organizações e comunidades a avançar de forma consistente e corajosa na transição para um modelo mais sustentável.   Sabemos que a sustentabilidade plena é um horizonte que nunca se alcança de forma definitiva. Talvez por isso seja tão mobilizadora. O nosso sonho é estar na linha da frente desse caminho, ajudando a transformar ambição em prática, inovação em impacto e visão em futuro.   6. Quais os planos da Ecoinsidepara o futuro mais próximo? No futuro próximo, queremos consolidar três frentes principais: Executar com excelência os projetos estruturantes que temos em curso, desde grandes centrais fotovoltaicas a redes de carregamento de veículos elétricos e projetos de eficiência energética em organizações públicas e privadas; Aprofundar a inovação, com projetos de I&D como o Luminspect, novas soluções de gestão de energia e o desenvolvimento do nosso sistema Thrive, que liga desempenho, desenvolvimento das pessoas e sustentabilidade; Reforçar o nosso papel como parceiro estratégico das empresas e instituições com quem trabalhamos, ajudando-as a cumprir metas de descarbonização, de reporte ESG e de investimento mais informado na área da energia e da sustentabilidade.   7. O que aprenderam, até agora, com esta jornada empreendedora? E com as pessoas com quem trabalham? As lições foram tantas, e continuam a ser, que provavelmente precisaríamos de outra conversa só para as partilhar todas. Mas, se tivermos de resumir, talvez a maior aprendizagem destes 20 anos tenha sido esta: empreender exige muita resiliência. Exige saber continuar quando as coisas não correm como imaginávamos, manter a clareza nos momentos de maior pressão e não desistir só porque o caminho se tornou mais difícil. Aprendemos também que vale mais a pena pensar sempre nas soluções para os problemas do que nos problemas para cada solução. Quem empreende não pode ficar preso ao bloqueio, à dificuldade ou ao "isto não vai dar". Tem de treinar a capacidade de olhar para a frente, perceber o que pode ser feito, ajustar o que for preciso e voltar a tentar. Ao longo desta jornada, confirmámos muitas vezes que empreender é testar, avaliar e corrigir. Nem sempre o caminho escolhido é o mais certo. Nem sempre uma decisão gera o resultado esperado. E isso não significa falhar; significa aprender a tempo, corrigir com humildade e seguir com mais conhecimento, mais maturidade e mais foco. Também aprendemos muito com as pessoas com quem trabalhamos. Aprendemos que uma equipa forte faz toda a diferença, que perspetivas diferentes ajudam a ver melhor, e que muitas vezes as melhores respostas aparecem quando existe confiança, entreajuda e vontade genuína de construir em conjunto. E há uma coisa mais improvável que ficou, e que talvez seja a mais engraçada de explicar a quem está de fora: ao longo dos anos, desenvolvemos um reflexo quase automático de pensar sempre no plano B. Na Ecoinside, isso tem até uma expressão própria que ficou — "E se essa pessoa cair da ponta da Arrábida, como faremos?" — que usamos quando queremos garantir que nenhum projeto, nenhuma decisão e nenhum processo depende de uma única pessoa ou de um único cenário. É uma forma um pouco irreverente de levar muito a sério algo que aprendemos da forma mais difícil: a robustez de uma equipa e de uma organização mede-se pela sua capacidade de continuar, independentemente do que aconteça.   8. Se uma criança um dia vos disser “Quero ser empresário/a!”, qual seria o vosso primeiro conselho? Diríamos que ser empresário não é ter uma “ideia genial” e esperar que tudo aconteça. É escolher um problema que valha a pena resolver, aprender muito, ouvir quem sabe mais do que nós e estar disponível para errar, corrigir e continuar.   Sobretudo, é perceber que nenhum projeto se constrói sozinho: o mais importante é formar uma boa equipa, tratar bem as pessoas e alinhar sempre o que fazemos com os valores que defendemos.   E diríamos também: começa já. Não precisas de esperar por ser adulto para começar a resolver problemas à tua volta.   9. Quais os vossos sonhos pessoais? Os nossos sonhos pessoais não vivem separados do que fazemos todos os dias. Há uma linha muito ténue, para nós, entre o que somos como pessoas e o que construímos como empresa — e talvez seja isso que mais nos define depois de 20 anos. O que desejamos, genuinamente, é acordar cada dia com a convicção de que o nosso trabalho está a contribuir para algo que vale a pena. Não em abstrato, não apenas em métricas ou relatórios, mas nas pessoas concretas com quem trabalhamos, nas organizações que ajudamos a mudar e nas comunidades onde esses projetos ganham vida. Sonhamos com uma equipa que cresça não só em número ou em competência técnica, mas em confiança, em propósito e na certeza de que o que fazem importa. Porque, no fundo, acreditamos que as pessoas que se sentem parte de algo maior trabalham de forma diferente — e isso reflete-se em tudo. Se daqui a outros 20 anos pudermos olhar para trás e dizer que ajudámos a mudar a forma como organizações e comunidades encaram a sustentabilidade, que fizemos isso com rigor, com coerência e com as pessoas certas ao nosso lado, então teremos cumprido o mais importante desse sonho.   10. Como é, para vocês, ser membro da família de spin-offs da U.Porto, o The Circle? Ser parte da família de spin-offs da U.Porto, o The Circle, é manter viva a ligação à casa onde nascemos como empresa. A Ecoinside nasceu como spin-off da Universidade do Porto e tem beneficiado, desde então, dessa proximidade entre academia e mundo empresarial.   Estar no The Circle permite-nos partilhar desafios com outras equipas que também estão a transformar conhecimento académico em projetos com impacto, trocar experiências sobre crescimento, inovação e investimento e, ao mesmo tempo, integrar um ecossistema que impulsiona a inovação em Portugal.   Para nós, isso representa uma combinação de orgulho e responsabilidade: orgulho por vermos a Ecoinside reconhecida como spin-off da U.Porto e responsabilidade porque sabemos que o nosso percurso pode inspirar quem está agora a dar os primeiros passos.  

Novos antimicrobianos com inspiração vinda do mar

Apesar de os antibióticos serem considerados um pilar da medicina moderna, a sua eficácia está ameaçada pelo aumento da resistência aos antimicrobianos (AMR). Estima-se que, só em 2019, tenham ocorrido perto de 4,95 milhões de mortes associadas às AMR. Uma equipa coordenada por Maria Emília Sousa, docente e investigadora da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (FFUP), está a trabalhar numa solução para este problema numa perspetiva “OneHealth” ou, em português, "Uma Só Saúde". Uma coisa é certa: a AMR irá representar uma crise de saúde pública, “cujo agravamento terá impactos dramáticos no plano individual e social”, refere a investigadora. Isso irá forçosamente afastar ainda mais a humanidade do cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), “particularmente aqueles que se concentrem em saúde e bem-estar, redução da pobreza, segurança alimentar, meio ambiente e crescimento económico”, explica. Resolver este problema requer uma abordagem “OneHealth”, acredita este grupo de cientistas. Ou seja, “combater a AMR de forma eficaz exigirá uma ação concertada em todos os setores, dada a inter-relação da saúde humana e animal, produção vegetal, segurança alimentar e meio ambiente, quer na evolução do problema da AMR quer nas soluções para esse problema”, dizem. Inspiração vinda do mar Para dar resposta a esse desafio, uma equipa multidisciplinar da Universidade do Porto (que inclui cientistas da FFUP mas também do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS)), inspirou-se em produtos marinhos “como fontes promissoras de novos quimioterápicos” e colocou a hipótese de obter derivados desses produtos marinhos antimicrobianos que fossem mais simples e mais fáceis de sintetizar em larga escala”. O objetivo foi “obter derivados sintéticos de alcaloides marinhos que tivessem já demonstrado atividade antimicrobiana”, explica Maria Emília Sousa. Mais especificamente, pretendem “obter por síntese numa só etapa, e a partir de precursores baratos e amigos do ambiente (aminoácidos), compostos que sejam inócuos para os seres humanos, mas altamente eficazes na inibição de bactérias patogénicas”. Estas substâncias já mostraram atuar também em modelos ambientais, como por exemplo contra patógenos de aquacultura. Nesta fase dos derivados de produtos marinhos, além de Maria Emília Sousa estiveram envolvidos os investigadores Solida Long, Madalena Pinto, Diana Resende, Anake Kijjoa, Paulo Costa, Joana Silva, Fátima Nogueira reunindo as instituições da Universidade do Porto (FFUP, ICBAS, Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR)) e também do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade NOVA de Lisboa (IHMT-UNL). Depois, na sequência do projeto, a equipa descobriu um produto inédito, com um espectro de ação mais alargado, investigação na qual estiveram envolvidos os cientistas: Emília Sousa, Ana Rita Neves, Marta Correia da Silva, Joana Freitas da Silva, Fernando Durães, Paulo Martins da Costa, Eugénia Pinto, Elisabete Geraldes, Filipe Mergulhão, Marisa Gomes, Rita Santos. Além das instituições referidas acima, nesta parte houve ainda envolvimento da Faculdade de Engenharia da U.Porto (FEUP) e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL). Prevê-se que seja viável a produção em larga escala Em ambos os projetos a equipa tem vindo a realizar contactos regulares com várias empresas farmacêuticas e prevê que “seja viável a produção em larga escala, uma vez que os agentes desenvolvidos, inspirados em produtos naturais, são obtidos por síntese química recorrendo a métodos industriais conhecidos e com possibilidade de transposição de escala”, referem. Essa síntese química de compostos inspirados em compostos naturais “mostrou ser vantajoso à recoleção dos organismos do meio natural e à extração dos compostos ativos, não só por ser mais sustentável, mas por facilitar a obtenção de quantidades adequadas e evitando a exaustão dos recursos naturais”, explica Maria Emília Sousa. A introdução de um fármaco na terapêutica é um processo que chega a demorar até 10 anos e custa milhões de euros. Como refere Maria Emília Sousa, “o modelo de negócio que se adequaria à disponibilização deste produto/serviço no mercado terá que contar com a parceria de empresas que tenham interesse em avançar com ensaios clínicos” e, eventualmente com o licenciamento das patentes.  O processo de proteção da propriedade intelectual desta invenção e transferência de tecnologia tem sido apoiado pela U.Porto Inovação. Uma das tecnologias já está concedida em vários territórios europeus (via patente unitária europeia), incluindo Portugal, e tem um pedido de patente nos Estados Unidos. Neste momento, a equipa está na fase experimental ou pré-clínica e, por isso, ativamente à procura de investimento que lhes permita avançar no combate a este problema que provoca milhões de mortes em todo o mundo.

“Já antecipava o impacto que a tecnologia teria no direito fundamental à privacidade”

  Nasceu em Luanda, viveu na África do Sul, tendo depois regressado a Portugal, escola primária em Freamunde e, depois, estudos num seminário em Guimarães. O jovem Luís Filipe Antunes, apesar da sua “grande admiração por mecânica e motores”, estava longe de imaginar que seria investigador. “Queria ser mecânico de automóveis. Tinha uma curiosidade enorme por saber como todos aqueles componentes juntos funcionavam”, diz. A investigação veio anos mais tarde. O percurso de Luís Filipe Antunes começou na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) onde foi monitor. Seguiu-se uma passagem pela Universidade do Minho como Assistente Estagiário e pela Faculdade de Economia da U.Porto (FEP) como Assistente. Em 2002 regressou à “casa-mãe”, a FCUP, mais especificamente ao Departamento de Ciências de Computadores como Professor Auxiliar. No ano anterior foi o escolhido na 1ª edição do prémio "Distinção em Inovação em Ciência e Tecnologia" da Universidade do Porto.  A sua tese de doutoramento foi em Complexidade Computacional, ou seja, “tentar classificar os problemas mediante os recursos computacionais (tempo, espaço, paralelismo entre outros) necessários para os resolver”, explica. Durante esse período esteve nos Estados Unidos no centro de investigação DIMACS (Discrete Mathematics and Theoretical Computer Science), na NEC Research como investigador e com uma breve passagem por Chicago. Esteve também em Amsterdão, no Centro de Investigação CWI como post-doc durante um ano.  “Nessa altura o meu orientador de doutoramento, Lance Fortnow, sugeriu-me redirecionar um pouco a minha investigação para criptografia pois teria mais possibilidade de conseguir financiamento em Portugal”, conta. E o académico acabaria por ter razão. “Como sempre”, refere Luís Filipe Antunes.  Esse acompanhamento, aliado aos seus sonhos de infância, aos diferentes países onde cresceu e também à “diversidade de centros de I&D, países e culturas, moldaram claramente” a sua atuação enquanto investigador. Além disso, Luís Filipe Antunes diz que este percurso, incluindo a passagem pelo seminário, moldou em si “uma personalidade humanista e preocupada com os direitos fundamentais do Homem”.  É também por isso que, nos dias que correm, as suas áreas de investigação têm sido a cibersegurança e a proteção de dados pessoais, tendo começado, logo em 2002, a colaborar com a Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD), pois “já antecipava o impacto que a tecnologia teria no direito fundamental à privacidade. Mais tarde, entre 2021 e 2023, foi inclusivamente o Encarregado de Proteção de Dados da CNPD.  "De vez em quando temos que "sair da caixa" e da zona de conforto, para ter melhores condições para inovar" Par a par com a carreira de investigação, Luís Filipe Antunes também enveredou pelo caminho do empreendedorismo, estando na génese de três empresas spin-off da Universidade do Porto: HealthySystems, Adyta e TekPrivacy.  Na sua opinião, o mais difícil na conciliação destes dois mundos – académico e empresarial - é “convencer os pares na Universidade que a transferência de tecnologia e a criação de valor são uma das componentes da carreira universitária”, explica. Assim, Luís Filipe Antunes optou por uma solução que “pode ser interessante para os docentes que fazem investigação e inovação em áreas aplicadas” e, atualmente, faz toda a sua investigação nesse contexto empresarial, mais especificamente na TekPrivacy, embora assuma ter um carinho particular pelas três empresas. “Na TekPrivacy o nosso objetivo é desenvolver tecnologia potenciadora de privacidade”, refere. Segundo um estudo de 2022 da União Europeia, “os dados dos europeus tinham um valor (monetização, definição de novos produtos e serviços, etc) de 19 mil milhões”, ou seja, um grande impacto económico global. Nesse estudo também é dito que “ainda não existe tecnologia que permita alavancar esse valor financeiro sem comprometer os direitos fundamentais”, explica Luís Filipe Antunes. A TekPrivacy tem, então, vindo a desenvolver esse tipo de tecnologia, e os pilotos que têm trabalhado fazem a equipa acreditar que “está no caminho certo”, afirma o docente. “Tem sido muito gratificante acompanhar este projeto pois é claramente inovador em muitos aspetos no panorama nacional e internacional. Tenho três estudantes de doutoramento com bolsa em ambiente empresarial da FCT, tenho 2 projetos I&D&I do P2030 com um valor 5 vezes superior aos projetos da FCT e, simultaneamente, a Tekprivacy emprega 25 profissionais altamente qualificados”, explica. Na prática, a TekPrivacy acabe por ser um centro de I&D&I que endereça problemas reais, com um conjunto de colaboradores altamente qualificados e vários projetos de mestrado e doutoramento, e com um objetivo claro de criar valor para as gerações futuras”, diz Luís Filipe Antunes, acrescentando que de vez em quando, é “necessário "sair da caixa" e, da zona de conforto, para ter melhores condições para inovar.” "Acredito que os grandes desenvolvimentos vão surgir na fronteira entre áreas científicas" Quando questionado sobre os seus maiores sonhos profissionais Luís Filipe Antunes não hesita em afirmar que o maior deles é “reforçar os direitos fundamentais do Homem num mundo cada vez mais digital”. O docente e empreendedor acredita que, nesse aspeto o mundo que deixará aos filhos será pior do que o mundo que herdou dos pais, empenhando-se diariamente em combater isso. Na sua opinião, “ser inventor é um desafio”, mas, particularmente na Universidade do Porto, destaca a qualidade e excelência dos estudantes com quem tem trabalhado na prossecução dessa missão. Em contrapartida, vê como um entreve a existência de “silos, muitas vezes estanques, o que dificulta a investigação que cruza áreas científicas” uma vez que acredita firmemente que “os grandes desenvolvimentos científicos surgirão na fronteira entre áreas científicas”.  Luís Filipe Antunes considera-se um académico, um docente, um empreendedor e um empresário humanista, e está nos seus planos continuar a lutar por um mundo em que a tecnologia faça mais bem do que mal e não interfira com os direitos fundamentais, alguns deles duramente conquistados. “Custa-me muito que as gerações dos meus pais e avós tenham lutado muito por um conjunto de direitos fundamentais para o ser humano e que a tecnologia os esteja a minar”, conclui. O caminho é, então, continuar a trabalhar para controlar essa maré.

Já são conhecidos os finalistas do iUP25k 2026!

A 12ª edição do iUP25k - concurso de ideias de negócio da Universidade do Porto -  recebeu 31 candidaturas. Depois de uma criteriosa avaliação das 24 consideradas elegíveis, estão, finalmente, escolhidas as 12 equipas finalistas do concurso. A avaliação, coordenada pela U.Porto Inovação, foi levada a cabo pela Astrolábio – Orientação e Estratégia S.A.  Durante os dias 26, 28 e 29 de maio as equipas vão participar no Bip Ignition, programa de capacitação a cargo da Astrolábio. A final, aberta ao público, será no dia 2 de junho no Auditório da UPTEC Asprela I. Agradecemos a participação da comunidade empreendedora da U.Porto e felicitamos as equipas finalistas! São elas: After-Sales for Real Estate Developers (AFTR) AlphaBean Laboratório de Anotação Semântica - Sem∀ Lab Latent Energy Systems LitCure LUSA Matera: Cuidado avançado de feridas inspirado no poder materno OncoLED QCertify RegAutomate Sinapse ZOP Shield     Esta edição do iUP25k conta com o apoio da Caixa Geral de Depósitos, da UPTEC e da Astrolábio.

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