"A química é fundamental para assegurar a gestão sustentável de recursos"

Escolher uma área científica onde passar grande parte da sua vida profissional foi,  para Clara Pereira,  uma tarefa nada fácil.  Desde sempre boa aluna,  dividia o seu interesse por áreas muito diversas como a Arqueologia,  a Astronomia,  a Psicologia ou a Química.  Apesar de não ter considerado nunca uma carreira como investigadora,  a paixão pela Química foi a que acabou por falar mais alto:  “Foi pela curiosidade em compreender os fenómenos que me rodeiam e pela possibilidade que a Química oferece de criar novos produtos que façam a diferença na vida das pessoas”,  refere a investigadora do Laboratório Associado para a Química Verde REQUIMTE/LAQV, no Departamento de Química e Bioquímica da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP). Apesar da obrigatoriedade de escolher um caminho na altura do 12º ano,  Clara não deixou todas as suas outras paixões de lado.  Uma delas,  relacionada com a Indústria Têxtil,  renasceu há alguns anos,  ainda enquanto estudante de doutoramento.  Nessa altura,  Clara começou a estar envolvida em projetos de I&DT - em colaboração com os centros tecnológicos CeNTI e CITEVE e com o Laboratório Associado LSRE-LCM (DEQ, FEUP) - de aplicação da Nanotecnologia a substratos e fibras têxteis de modo a conferir-lhes novas funcionalidades,  como elevada repelência à água e ao óleo,  propriedades termocrómicas e fotocrómicas.  Anos mais tarde,  já como investigadora doutorada,  em colaboração com o centro de investigação IFIMUP (DFA, FCUP),  desenvolveu um nanomaterial que, quando incorporado em tecidos,  faz com que os mesmos acumulem energia suficiente para carregar dispositivos eletrónicos,  tais como sensores de monitorização de sinais vitais,  e sistemas de iluminação LED,  funcionando como baterias.  “Comecei a trabalhar na área de têxteis para armazenamento de energia em 2014. Na altura tínhamos identificado uma necessidade na nossa sociedade relacionada com o fornecimento de energia em vestuário e acessórios eletrónicos portáteis,  como é o caso de sensores de monitorização de sinais vitais”,  refere a investigadora. Era o início da WeStoreOnTEX. A solução desenvolvida por Clara Pereira,  André Pereira (IFIMUP, DFA-FCUP) e Rui Costa pretende alavancar o mercado da roupa inteligente.  Uma vez que o material por eles desenvolvido pode ser incorporado diretamente no tecido,  não compromete nem a leveza nem a flexibilidade do mesmo.  Além disso não usa plásticos, não usa cabos e não necessita de lítio.  A ideia já valeu diversos prémios aos investigadores,  nomeadamente o 3º lugar no iUP25k – Concurso de Ideias de Negócio da U.Porto,  o 1º lugar no Pitch Day da Escola de Startups da UPTEC e também o Prémio Inovação da Exame Informática “Os Melhores do Portugal Tecnológico”.  Mas o sonho,  admite Clara Pereira,  é para continuar.  E por isso concorreram à iniciativa BIP PROOF (com o apoio da U.Porto e da Fundação Amadeu Dias),  onde arrecadaram um financiamento de 10 mil euros.  “Mais recentemente foi-nos concedido apoio financeiro no âmbito do BIP PROOF,  o que nos permitiu realizar a prova de conceito”,  refere a investigadora,  para quem o maior objetivo é levar,  efetivamente “o produto ao mercado e que ele faça a diferença na vida das pessoas”. Ter escolhido esta área de intervenção foi também um ato de muita consciência ecológica,  sabendo que a Química tem uma importância fulcral na sociedade: “E na era em que vivemos,  com a emergência do paradigma da economia circular,  a Química é um dos pilares fundamentais para assegurar a gestão sustentável de recursos”,  refere. Neste momento os investigadores da WeStoreOnTEX estão já a trabalhar numa tecnologia híbrida mais avançada “que produz energia através da recuperação de calor do corpo humano e,  simultaneamente,  armazena-a no mesmo dispositivo”,  contam. O objetivo é chegar a um produto leve,  flexível e totalmente autónomo (self-powered) com alargadas hipóteses de aplicação desde a Saúde e o Bem-Estar ao Desporto,  Proteção e à Moda. Além disso,  a equipa está também a aprofundar a viabilidade técnica e de mercado. E equipa é mesmo a palavra chave.  Para Clara Pereira,  “as invenções são fruto da interação entre investigadores e estudantes de várias áreas científicas”  e a investigadora considera-se uma privilegiada por estar,  dentro da instituição a que chama casa – a Universidade do Porto – rodeada de pessoas altamente motivadas.  Apesar de reconhecer alguma instabilidade relacionada com a profissão de investigadora,  aliada a uma constante necessidade de “conseguir autofinanciamento”,  Clara Pereira considera que a U.Porto é uma casa onde vigora o “ensino e a investigação de excelência em todas as áreas do conhecimento”.  E é nesse ambiente de criatividade,  inovação e empreendedorismo que grandes projetos, como a WeStoreOnTEX, continuam a aparecer e florescer.

O “ginásio” da musculatura pélvica

O enfraquecimento da musculatura pélvica é um problema que afeta um elevado número de mulheres de diferentes idades, sobretudo depois de uma gravidez ou com a prática regular de desportos de alto impacto. Entre outras consequências, isso pode levar a quadros não só de incontinência urinária e incontinência anal, mas também de disfunção sexual. Neste tipo de condições, a fisioterapia é a primeira abordagem para aliviar os sintomas e reverter o problema, melhorando a qualidade de vida dos pacientes. A abordagem em fisioterapia engloba a região abdomino-pélvica no seu todo, utilizando diferentes modalidades de intervenção, como é o caso da palpação manual bidigital. Esta é uma das técnicas utilizadas para fortalecer a musculatura do pavimento pélvico, sendo a mais dirigida para os músculos do períneo. Apesar dos bons resultados que essa linha de tratamento pode trazer, Alice Carvalhais, investigadora da Universidade do Porto/INEGI, descobriu uma maneira de tornar esta terapêutica mais eficaz e mais confortável para o paciente e para o fisioterapeuta. Com a colaboração de Renato Natal Jorge, da Faculdade de Engenharia da U.Porto/INEGI, começou a desenhar as primeiras linhas de um sistema que atua internamente mas é acessível externamente, fazendo com que tanto o fisioterapeuta como o doente consigam monitorizar o exercício.  Feedback visual imediato permite exercício em casa A ideia surgiu quando Alice Carvalhais, também docente no Instituto Politécnico de Saúde do Norte (Escola Superior de Saúde do Vale do Sousa) estava numa sessão com uma paciente: “Dei por mim a pensar que ter um dispositivo que me permitisse aplicar uma resistência externa à contração da musculatura pélvica, onde pudesse ir adicionando ou removendo peso conforme a necessidade, objetivamente quantificado, e que ainda me permitisse monitorizar a qualidade da contração, me facilitaria e melhoraria o trabalho”, refere. A utilização do dispositivo, conta a investigadora, é “muito fácil e intuitiva”, e permite fazer ajustes adequados, e em tempo real, para que a intervenção seja o mais orientada possível às necessidades individuais de cada paciente, como um “fato feito à medida”. Uma das principais vantagens é a obtenção de feedback visual imediato, fazendo com que paciente e fisioterapeuta consigam perceber, no momento, se é necessário ajustar a carga utilizada, adaptando de imediato a terapia ao objetivo da intervenção  Esta é uma questão importante, até porque este tipo de condições relacionadas com a região pélvica ainda podem levantar constrangimentos em algumas mulheres. O dispositivo desenvolvido na U.Porto/INEGI pode ser utilizado autonomamente pelas pacientes, em casa, sem que isso prejudique a eficácia da terapia, pois é imediatamente percebido se o exercício está a ser realizado corretamente ou não. E não é preciso removê-lo para efetuar as mudanças de carga necessárias à evolução da terapia. Os investigadores acreditam que esta autonomia será um passo importante para encorajar cada vez mais mulheres a procurar uma solução para o seu problema. O dispositivo está orientado para tratamento e prevenção da incontinência urinária, mas também da disfunção sexual – dois problemas que as alterações da musculatura pélvica podem provocar. Além das vantagens enumeradas acima, este aparelho permite que se “alcancem os objetivos pretendidos num espaço de tempo mais curto, pois temos num só dispositivo a possibilidade de monitorizar vários parâmetros da função dos músculos do pavimento pélvico e treinar diferentes tipos de força com diferentes tipos de contração”, refere Alice Carvalhais. Atualmente, os investigadores estão focados em construir um novo protótipo e, para tal, encontram-se em busca de financiamento. Segundo Alice Carvalhais, é importante que esse protótipo seja “visualmente mais apelativo e que inclua tecnologia simples, permitindo chegar a pacientes cujo perfil esteja mais familiarizado com dispositivos tecnológicos”. O objetivo final é a entrada no mercado para que o dispositivo chegue rapidamente às pacientes que sofram com estas condições. Rematando, Alice Carvalhais refere que o seu sonho é “ver o produto disponível no mercado nacional e internacional e conseguir que o modelo básico do dispositivo, que é puramente mecânico, fique disponível em países em vias de desenvolvimento”, onde o acesso a terapias deste género é muito escasso.

À conversa com as empresas: Elisabete Matos, da Soja de Portugal

Nesta edição da rubrica "À conversa com as empresas" fomos conversar com Elisabete Matos,  Diretora de Inovação da Soja de Portugal.  Faz este ano 30 anos que a empresa celebrou o seu primeiro protocolo de colaboração com a Universidade do Porto e Elisabete Matos é da opinião que a relação entre as duas instituições tem vindo a "fortificar-se ao longo dos anos" P: Qual a importância da relação da Soja de Portugal com o meio cientifico e tecnológico? R: Um dos principais vetores estratégicos da Soja de Portugal é a inovação,  reconhecendo-a como uma dimensão fundamental para ser líder no mercado nacional e adquirir uma posição de destaque no mercado internacional. É com base no diálogo constante com os nossos clientes que procuramos criar soluções feitas à medida de cada situação e de acordo com as necessidades de cada um.  Acreditamos também numa metodologia de inovação aberta,  através da nossa rede de clientes,  fornecedores,  institutos científicos e restantes parceiros. O meio científico e tecnológico é essencial para garantir que as soluções que apresentamos aos nossos clientes são desenvolvidas de forma sustentada e guiada pelos mais exigentes padrões de I&D. A relação com este meio permite-nos ter acesso às melhores competências disponíveis,  de uma forma que seria muito difícil de obter,  caso optássemos por internalizar o nosso processo de inovação.  Desta forma,  temos vindo a consolidar ao longo dos anos o nosso ecossistema de inovação com base na construção de uma relação simbiótica com Universidades e Institutos de Investigação de renome,  tanto nacionais como internacionais.   P: Como é que Soja de Portugal tem vindo a interagir com a U.Porto? R: Faz este ano 30 anos que a Soja de Portugal celebrou o seu primeiro protocolo de colaboração com a Universidade do Porto, mais especificamente com o ICBAS. O protocolo visava o desenvolvimento e o fabrico de alimentos compostos para aquacultura e foi a base de uma das nossas áreas de negócio, a Aquasoja, que hoje em dia representa a maior parte das exportações do grupo. A nossa interação com a Universidade do Porto tem-se fortificado ao longo dos anos. Atualmente temos em curso vários projetos de I&D conjuntos, nas áreas de aquacultura e de pet food, financiados pelo Portugal 2020, mas também desenvolvemos em conjunto projetos mais pequenos, com financiamento próprio. É comum recebermos visitas de alunos nas nossas instalações, para que conheçam melhor os processos industriais das nossas áreas de negócio. Aliás, desde 1999 que os alunos do mestrado integrado em medicina veterinária do ICBAS têm regularmente aulas nas nossas instalações na Avicasal. Além disso, desde 2012 que financiamos projetos do Programa IJUP-Empresas, o que nos permite reforçar a relação com diferentes equipas de investigação da Universidade do Porto, de forma a compreender se temos objetivos comuns para trabalhos futuros. Não posso deixar de referir a nossa participação no programa doutoral em nutrição animal SANFEED, que está agora na sua última edição e no qual financiámos parcialmente 5 bolsas de doutoramento em ambiente empresarial nas nossas áreas de atuação.   P: Quais os principais desafios que os dois agentes têm pela frente? R: Julgo que o principal desafio que enfrentamos é manter a relevância num mundo em evolução constante e exponencial. A investigação, mesmo a aplicada, demora tempo e consome recursos. Torna-se cada vez mais difícil definir estratégias conjuntas de I&D a médio e longo prazo, que permitam iniciar hoje o trabalho que nos vai dar soluções para os desafios de amanhã, quando surgem constantemente novos caminhos e novos desafios. Hoje a nossa relação com a Universidade do Porto torna-nos mais ágeis na mudança, mas muito facilmente se poderá inverter esta tendência, pelo que teremos que nos manter vigilantes. No entanto, estou certa que quaisquer desafios que enfrentemos em conjunto serão superados com sucesso.

The Circle perto das 100 empresas spin-off U.Porto

  À medida que o clube exclusivo de empresas da Universidade do Porto se aproxima da centena de membros,  a U.Porto Inovação continua o seu esforço em apoiar ao máximo as empresas com a chancela U.Porto spin-off.  Seja através de promoção de conquistas,  divulgação de eventos de interesse,  acesso a financiamento ou,  simplesmente, ouvindo os empreendedores,  a U.Porto Inovação e os parceiros do The Circle (Porto Business School e Santander Universidades) são a base sólida da rede. Sara Mendes, da Porto Business School,  foi parte ativa no 6º encontro do The Circle,  e referiu que a instituição que representa “acredita que estas iniciativas permitem inovações na rede e criam sinergias entre os participantes”. O The Circle reúne,  habitualmente,  duas vezes por ano,  cada uma delas focada num tema.  No passado dia 20 de novembro,  e no seguimento da segunda edição do Entreprenow,  o encontro aconteceu na Casa da Música e focou-se no “futuro”.  Desta vez,  e para além do habitual momento de networking e de partilha de experiências,  os participantes também foram desafiados a perceber,  por um lado,  quais as melhores formas para a Universidade do Porto os ajudar,  e,  por outro, de que forma os elementos da rede se podem também ajudar entre si. “Independentemente da área de negócio,  através destes eventos conseguimos construir novas pontes de crescimento sinérgico”,  referiu Caroline Prufer,  da spin-off Ergoform,  para quem a “integração e o apoio da família U.Porto fazem diferença”.  As conclusões retiradas nestas reuniões do The Circle vão servir de base para a U.Porto Inovação planear as ações da rede para 2020,  prestando um apoio cada vez mais dinâmico e tanto quanto possível adaptado às individualidades das empresas da rede.  As empresas foram auscultadas nas temáticas financiamento,  comunicação/divulgação,  desenvolvimento de produto,  internacionalização e formação. Sobre o The Circle É uma iniciativa que,  desde 2016,  junta,  reconhece e aproxima as empresas nascidas no ecossistema da Universidade do Porto,  seja através da transferência de tecnologias desenvolvidas por investigadores da universidade ou por iniciativas/projetos de estudantes,  empreendedores ou outros intervenientes desse ecossistema.  As áreas de intervenção das empresas do The Circle são muito variadas e vão desde tecnologias educativas,  passando pelas áreas da energia,  design de produto,  estúdios de arquitetura ou até mesmo videojogos. Mais informação sobre as empresas aqui. A rede já representa cerca de 106 milhões de euros em investimento acumulado e perto de 950 postos de trabalho distribuídos pelas 91 empresas.  O dinamismo tecnológico da comunidade é também uma evidência,  e as empresas do The Circle gerem,  entre si,  mais de 200 patentes. O próximo encontro será na primeira metade do próximo ano.

Tecnologia pioneira "made in U.Porto" atrai 4,4 milhões de investimento

A Didimo, uma spin-off da Unversidade do Porto e incubada na UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da U.Porto, acaba de atrair 4, 4 milhões de euros de investimento. por um fundo português composto pela Portugal Ventures, Farfetch, Bynd Venture Capital, Beta-i e a LC Ventures. A tecnologia desenvolvida pela empresa portuense permite criar humanos digitais pode ser usada em videojogos, social media, cinema, realidade aumentada (AR) e Realidade Virtual (RV). A DiDiMo é o primeiro e único motor que automaticamente cria um personagem virtual 3D a partir de uma única fotografia. Em apenas dois minutos, a aplicação consegue gerar um avatar realista.  A tecnologia da Didimo tem uma infraestrutura cloud automatizada que permite a qualidade, velocidade e versatilidade necessária para criar milhões de avatares. Os potenciais utilizadores podem criar os seus próprios avatares, para isso só precisam de captar uma fotografia do rosto através da aplicação Didimo Xperience (Android ou iOS). Com este investimento, a spin-off da U.Porto vai reforçar a equipa e chegar aos 40 colaboradores. Os responsáveis da empresa esperam ainda começar a vender a tecnologia para o mercado internacional e, até ao final do próximo ano, apostar no mercado da saúde. Sobre a Didimo Fundada por Verónica Orvalho, docente da Faculdade de Ciências da U.Porto (FCUP), a Didimo conta já com 22 colaboradores, distribuídos por escritórios localizados em Leça da Palmeira, Vancouver (Canadá) e Londres (Reino Unido). O investimento vai servir, assim, para duplicar a equipa e contratar novos talentos, essencialmente na área da tecnologia.  Recorde-se que, em 2016, a Didimo participou no TechStars Londres. Em 2017, Verónica Orvalho recebeu um prémio de 47 mil euros no concurso internacional Women Startup Challenge, que aconteceu na sede da Google, em Nova Iorque. Já este ano, a startup obteve um financiamento de 1.86 milhões de euros, ao abrigo do programa SME Instrument da Comissão Europeia.  Notícia escrita pelo departamento de Comunicação & Imagem da UPTEC (Isabel Silva)

HypeLabs recebe 2,7 milhões para desenvolver comunicações sem internet

A HypeLabs, uma spin-off da Universidade do Porto atualmente incubada na UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da U.Porto, acaba de levantar um investimento no valor de 2,7 milhões de euros, liderado pelo innogy Innovation Hub. A startup desenvolve uma tecnologia que permite comunicar sem internet ou rede e vai usar o financiamento para reforçar a equipa e apoiar o crescimento internacional da empresa. Criada por André Francisco e Carlos Lei, ambos antigos alunos da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, a HypeLabs desenvolve uma tecnologia que permite comunicações entre dispositivos móveis mesmo em situações onde não existe conetividade à internet ou qualquer outra rede externa. Tal é possível através do sistema Hype SDK (Software Development Kit), capaz de conectar dispositivos para criar redes mesh locais, que funcionam com qualquer sistema operativo e canal de transporte, usando tecnologias de conectividade como Bluetooth e Wi-Fi. A tecnologia desenvolvida pela empresa portuense permite, assim, que o conteúdo seja transmitido entre os dispositivos de forma segura até chegar a um destino ou um ponto de saída da Internet. Atualmente, a Hype SDK conta com mais de 2500 profissionais a utilizar a tecnologia que permite comunicar sem internet ou rede. “Continuar a crescer internacionalmente” Fundada em 2016, ano em que participou na Web Summit, a HypeLabs vai então utilizar este investimento para “continuar a crescer internacionalmente, bem como focar num mercado-chave – o utilitário de energia. O nosso objetivo é conectar todos os dispositivos de forma simples, mesmo em situações previamente impossíveis, construindo redes que se auto configuram, ajustam, aperfeiçoam e protegem. É hora de trazer inteligência para a pilha de rede.”, afirma Carlos Lei Santos, CEO da empresa. “O que torna a HypeLabs especial é que não depende de hardware ou canais de rádio específicos para gerir a rede. Estamos particularmente entusiasmados com o papel desta tecnologia dentro do sistema de energia descentralizado baseado em IoT, onde casas inteligentes exigirão conectividade inteligente, resiliente e confiável”, afirma Kerstin Eichmann, Strategy Lead, Machine Economy no Innogy Innovation Hub. No grupo de investidores que financiou a HypeLabs em 2, 7 milhões de euros estão, também, entidades como EDP Ventures, Deutsche Telekom, AngelPad, Caixa Capital, NovaBase Capital e Mustard Seed. Notícia escrita pelo departamento de Comunicação & Imagem da UPTEC (Isabel Silva)

Comissão Europeia aposta em spin-offs da Universidade do Porto

A Smartex e a Addvolt, duas spin-offs da Universidade do Porto e ambas incubadas na UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da U. Porto, estão entre as 75 empresas que vão ser financiadas pelo Conselho Europeu de Inovação com um valor total de 278 milhões de euros de investimento. A Smartex é uma solução de engenharia projetada para ajudar os fabricantes de têxteis a melhorar o rendimento da sua produção, reduzindo a produção defeituosa para perto de 0% e fornecendo software de monitorização de produção, adequado para análise de Business Intelligence. Já a Addvolt desenvolveu o primeiro sistema plug-in elétrico do mundo para o setor do transporte. A tecnologia patenteada desta startup eletrifica as unidades de refrigeração dos veículos reduzindo a dependência do diesel, o nível de ruído e as emissões de CO2.  As tecnologias criadas pelas duas startups da UPTEC valeram-lhes então a entrada na lista das “promissoras empresas em fase de arranque e PME” da Comissão Europeia. As 75 empresas europeias foram selecionadas para a maior ronda de financiamento da fase piloto do Acelerador do Conselho Europeu de Inovação, devido às suas tecnologias inovadoras. Para além da Smartex e a Addvolt, a empresa portuguesa Ophiomics também está entre as empresas selecionadas pela Comissão Europeia. Notícia escrita pelo departamento de Comunicação & Imagem da UPTEC (Isabel Silva)

A chat with companies: Elisabete Matos, from Soja de Portugal

In this edition of "A chat with companies" , we talked to Elisabete Matos, Director of Innovation and Technology at Soja de Portugal. It's been 30 years since the company signed its first cooperation agreement with the University of Porto and Elisabete believes that the relationship between the two entities is increasingly stronger. Q: What’s the importance of Soja de Portugal's relationship with the scientific and technologic community? A: One of Soja de Portugal's main strategic vectors is innovation, recognizing it as a fundamental dimension to be a leader in the domestic market and to acquire a prominent position in the international market. It is based on the constant dialogue with our customers that we seek to create solutions tailored to each situation and according to their needs. We also believe in an open innovation methodology through our network of customers, suppliers, scientific institutes and other partners. The scientific and technological environment is essential to ensure that the solutions we present to our customers are developed in a sustainable manner and guided by the most demanding R&D standards. The relationship with this ecosystem gives us access to the best available skills in a way that would be very difficult to obtain if we chose to internalize our innovation process. In this way, we have been consolidating our innovation ecosystem over the years by building a symbiotic relationship with renowned national and international universities and research institutes.   Q: How have Efacec and the University of Porto been collaborating? A: This year it has been 30 years since Soja de Portugal celebrated its first collaboration protocol with the University of Porto, more specifically with ICBAS. The protocol was aimed at the development and manufacture of aquaculture compound feed and was the basis of one of our business areas, Aquasoja, which today represents the majority of the group's exports. Our interaction with the University of Porto has been strengthened over the years. We currently have several joint R&D projects in the aquaculture and pet food areas funded by Portugal 2020, but we also jointly develop smaller, self-funded projects. It is common for us to receive student visits to our facilities so that they can better understand the industrial processes in our business areas. By the way, since 1999, students of the ICBAS integrated master's degree in veterinary medicine have regularly taken classes at our Avicasal premises. In addition, since 2012 we have been funding projects from the IJUP-Empresas Programme, which allows us to strengthen the relationship with different research teams at the University of Porto, in order to understand if we have common goals for future work. I can’t help from mentioning our participation in the doctoral program in animal nutrition SANFEED, which is now in its last edition and in which we partially funded 5 doctoral scholarships in business environment in our business scope.   Q: What are the main challenges these two players face? A: I think the main challenge we face is maintaining relevance in a constantly and exponentially evolving world. Research, even applied research, takes time and consumes resources. It is becoming increasingly difficult to define joint medium and long-term R&D strategies to begin today the work that will give us solutions to tomorrow's challenges as new paths and new challenges constantly emerge. Today our relationship with the University of Porto makes us more agile in the change, but very easily this trend can be reversed, so we will have to remain vigilant. However, I am sure that any challenges we face together will be successfully overcome.

Empreendedores do Porto debateram o futuro no Entreprenow

  Conhecer, debater, pensar o percurso dos empreendedores em Portugal e no ecossistema portuense. Foi esta a premissa para a segunda edição do Entreprenow, que levou dezenas de pessoas à Casa da Música no passado dia 20 de novembro. Organizado pela U.Porto Inovação (com o apoio do Santaner Universidades e do ScaleUp Porto), o evento pretende ser uma referência no empreendedorismo português, onde empresas, investigadores, estudantes e público em geral podem conhecer melhor o que constitui, nos dias de hoje, um projeto de sucesso. Entre os protagonistas do Entreprenow 2019 destacou-se Mariana Barbosa, jornalista do ECO online que tem dedicado grande parte da sua carreira a ouvir a ouvir histórias de empreendedores na primeira pessoa (compiladas no seu “Livro dos Fazedores”). “Como me disseram uma vez: o segredo não é a alma do negócio, a alma é que é o segredo do negócio”, destacou a keynote do Entreprenow, numa intervenção em que falou também da importância da curiosidade, coragem e paixão pelo que se faz. Na opinião da jornalista, existem muitos fatores que podem levar um negocio a falhar, não sendo justo colocar sempre a culpa do lado dos empreendedores. Apesar de Portugal “ser favorável à ebulição de novos projetos empreendedores”, Mariana Barbosa acredita que ainda há “muito trabalho a fazer”. Não deixa, no entanto, de ser otimista, acreditando que ainda teremos mais unicórnios portugueses. A importância de "dizer que não" Ao todo, as quatro mesas redondas do Entreprenow 2019 reuniram intervenientes de 13 startups – incluindo seis spin-offs da U.Porto – e tiveram como temas as quatro fases do percurso empreendedor. Houve, porém, uma conclusão unânime: apesar da romantização da palavra “empreendedorismo”, este é um caminho por vezes “difícil”. Na verdade, e apesar de ter sido referido muitas vezes que o ecossistema do Porto é, atualmente, um dos melhores e mais fervilhantes, problemas como procura de investimento, captação de talentos, alterações do modelo de negócio e gestão eficaz do crescimento rápido são factos com que as empresas têm de lidar diariamente. E como se resolvem essas questões? Também aqui as respostas foram todas no mesmo sentido: “É muito importante saber o que não queremos fazer e tomar decisões críticas, o que por vezes implica dizer que não a pedidos de clientes por não irem ao encontro do que, para nós, faz sentido”, referiu Tiago Craveiro, da HUUB. Do lado de quem investe, Stephan Morais, da Indico Capital Partners referiu o quão importante são a “sustentabilidade e humildade para ouvir feedback” das empresas em quem as entidades de capital de risco investem, uma vez que investidores são uma espécie de “sócios da empresa” e, por isso, muito interventivos”. O fator humano A importância das pessoas, tanto do lado de “cá”, nas equipas, como do lado de “lá”, nos clientes, foi também referida por praticamente todos os empreendedores que compuseram os debates do Entreprenow. Pedro Esmeriz, da ShopAI, salientou que a captação de talento pode ser um problema, mas que é com “boas equipas e formação que se conseguem ter mais clientes e dar o salto”. Já Rui Cainé, da Defined Crowd, salientou a equipa com o que faz andar a máquina: “Damos muito atenção às pessoas porque são o nosso motor”, referiu. “Existem muitos problemas para resolver, mas estou certo de que é com as mentes brilhantes do Porto que o vamos fazer”, referiu por sua vez Filipe Araújo, vereador para a Inovação da Câmara Municipal do Porto. Fotografias do evento disponíveis aqui.

Fundação Amadeu Dias investe 40 mil euros em tecnologias da U.Porto

  Repetindo a receita de sucesso iniciada em 2018, a Fundação Amadeu Dias (FAD) voltou a aliar-se à Universidade do Porto com o objetivo de investir em tecnologias inovadoras geradas no seio da U.Porto. No total, a edição deste ano do programa BIP PROOF vai atribuir 40 mil euros, montante que as quatro equipas vencedoras* vão poder utilizar no desenvolvimento de provas de conceito para validação da sua investigação. Uma nova esperança contra o cancro No primeiro lugar da tabela ficou o projeto ACTONP53, desenvolvido por Lucília Saraiva, docente e investigadora da Faculdade de Farmácia da U.Porto (FFUP) e do LAQV/REQUIMTE, e pela sua estudante de doutoramento, Helena Ramos. O trabalho premiado foca-se na proteína p53, que é essencial para a reparação do nosso ADN. Sem ela, a frequência de mutações celulares aumenta, levando à formação de tumores. A pensar nisso, a equipa da FFUP desenvolveu uma nova pequena molécula que reativa a proteína p53 mutada, restabelecendo a sua atividade normal. “O cancro é uma das principais causas de mortalidade e morbilidade no mundo”, lembram as investigadoras, acrescentando que apesar de existirem notórias evoluções no tratamento desta doença, continua a ser “uma prioridade encontrar estratégias terapêuticas mais eficazes e menos evasivas”. Os testes já realizados em modelos animais e em células tumorais de pacientes “comprovam o potencial terapêutico desta molécula”, a qual “representa uma nova esperança no tratamento personalizado de doentes oncológicos”, dizem Lucília Saraiva e Helena Ramos. Nesse sentido, o financiamento de 10 mil euros garantido através do BIP PROOF será uma mais-valia para prosseguir com a investigação. Com efeito, o montante atribuído ao projeto ACTONP53 será utilizado em “estudos de determinação do perfil farmacocinético do composto in vitro e in vivo, assim como na liquidação de custos associados ao processo de pedido de patente para proteção da tecnologia”, concluem as investigadoras.   Do mar para o corpo O Cyanocare, projeto em desenvolvimento no Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), também foi escolhido nesta ronda de financiamento. Baseia-se num polímero produzido naturalmente, e em grandes quantidades, por uma cianobactéria marinha – o Cyanoflan. Devido às suas propriedades naturais, esta matéria-prima pode ser utilizada em diferentes indústrias, como a biofarmacêutica. “O Cyanoflan pode ser utilizado em produtos cosméticos e de higiene corporal, possibilitando a substituição de compostos sintéticos por produtos naturais renováveis”, refere Rita Mota, investigadora responsável pelo projeto. Para a investigadora, que já levou o projeto CyanoCare à Escola de Startups da UPTEC e à competição ClimateLaunchpad Portugal (tendo ficado em 3º lugar), o apoio do BIP PROOF será fundamental. “Vamos poder aprofundar a aplicação do Cyanoflan na área da cosmética em colaboração com parceiros industriais. O apoio vai incluir serviços de consultoria com uma empresa de renome, mas também a realização de um rastreio da atividade biológica do Cyanoflan para verificar se este poderá ser também utilizado como ingrediente ativo”, refere Rita Mota. Além disso, a equipa do i3S vai dar início também aos testes toxicológicos. O objetivo, segundo a investigadora, é, no final do projeto, terem um “ingrediente 100% natural capaz de ser incorporado em produtos de diferentes indústrias permitindo atingir consumidores ecologicamente conscientes”, conclui. Contra as infeções hospitalares Também da Faculdade de Farmácia, foi escolhido o projeto IR Bactyping, atualmente em desenvolvimento pelas investigadoras Ana Freitas, Ângela Novais, Luísa Peixe e Teresa Ribeiro. Trata-se de uma solução que “permite a identificação e diferenciação de tipos bacterianos dentro de uma espécie, em tempo real”, referem as cientistas. Além da ótima performance, a solução também é de fácil implementação, rápida e menos dispendiosa que os métodos competidores. Na prática, a implementação do IR Bactyping na rotina de um hospital vai permitir apoio aos “serviços de microbiologia clínica e de controlo de infeção, melhorando os índices de infeção hospitalar e, consequentemente, o cuidado prestado aos pacientes”. Encarando este grant de 10 mil euros como um reconhecimento importante, o quarteto de investigadoras pretende agora utilizar o valor para alavancar a “implementação de estudos piloto em hospitais de referência a nível ibérico”, experiência essa que vai permitir avaliar o impacto do IR Bactyping numa rotina hospitalar. Além disso, vão investir também em consumíveis e serviços para validar e otimizar a metodologia, bem como nas vertentes comercial e de credibilização da tecnologia, através da construção de um website. Diagnostico de sistemas eletrónicos Entrando agora nas engenharias, também a tecnologia C4MiR foi selecionada para este financiamento. Trata-se de uma invenção desenvolvida por investigadores do INESC TEC e da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e os 10 mil euros serão importantes para desenvolver um novo protótipo, tornando a tecnologia “mais visível para potenciais entidades interessadas na sua adoção”, refere Miguel Velhote Correia, um dos inventores. O C4MiR é uma tecnologia de teste e diagnóstico de sistemas eletrónicos. Como referem os inventores, as suas aplicações “centram-se no domínio das redes de sensores e Internet das Coisas (IoT), com o propósito de promover a utilização dos canais de comunicação para fins de teste e diagnóstico do sistema”. Este método permite reduzir custos no desenho e produção dos sistemas eletrónicos e também aumentar a confiabilidade das aplicações. Para o desenvolvimento do protótipo, a equipa INESC TEC/FEUP vai utilizar o financiamento para recursos humanos especializados. Parceria para continuar Para Helder Vasconcelos, vice-reitor da Universidade do Porto com os pelouros das relações com empresas, inovação e empreendedorismo, esta parceria com a Fundação Amadeu Dias constitui um apoio “inestimável”, uma vez que permite que a U.Porto Inovação – responsável pela iniciativa BIP PROOF – continue a trabalhar no “desenvolvimento de ações que visem demonstrar a viabilidade tecnológica e comercial de tecnologias no âmbito da investigação de translação da U. Porto. Já do lado da FAD, João Marinho Gonçalves lembra que “a Fundação Amadeu Dias tem direcionado a sua atividade mecenática principal no apoio a programas focados na transferência do conhecimento, na inovação e no empreendedorismo, desenvolvidos essencialmente em ambiente universitário”. E nesse sentido, não hesita em classificar a U.Porto como um “parceiro fundamental e de enorme prestígio para a atividade desenvolvida pela fundação”. João Marinho Gonçalves deixa ainda elogios ao BIP PROOF, um programa de “natureza inovadora e arriscada que, pelas suas características, sempre esteve na primeira linha dos programas da U.Porto a apoiar”.

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