“Com o projeto Embrace abrimos a oportunidade de colocar o social no centro da economia”, refere Filipe Castro, da U.Porto Inovação, no lançamento de um novo projeto. O European Corporate Social Entrepreneurship (EMBRACE) arrancou no final de fevereiro de 2020 em Budapeste (Hungria) e a Universidade do Porto é um dos parceiros selecionados (através da U.Porto Inovação e do Instituo de Sociologia da U.Porto (IS-UP)).

O principal objetivo do EMBRACE é promover o empreendedorismo social nos programas educacionais das instituições de ensino superior, ao mesmo tempo que sugere maneiras de melhorar as competências, a empregabilidade e as atitudes dos alunos, contribuindo para a criação de novos negócios e oportunidades. As organizações que pensam hoje o seu futuro já não conseguem evitar a procura de um equilíbrio entre competitividade e sustentabilidade económica, social e ambiental e o maior desafio que essas organizações – incluindo universidades – enfrentam é social, pois é a partir deste domínio que todos os outros se desenvolvem.

Ana Isabel Couto, docente da Faculdade de Economia da U.Porto e investigadora no IS-UP, relembra que este assunto já tem vindo a ser falado há bastante tempo, nomeadamente pelo antigo secretário-geral da ONU, Kofi Annan: “‘Não estamos a pedir às empresas para fazerem algo diferente da sua atividade normal; estamos a pedir-lhes que façam a sua atividade normal de forma diferente’, disse ele em 2002”.

Assim, numa economia global orientada para o conhecimento, é fundamental que se tenha acesso a produtos e serviços mais sustentáveis, dando também mais ênfase às questões da inclusão e igualdade social, bem como um maior envolvimento na pesquisa de processos de inovação que respondam às necessidades da sociedade. O EMBRACE “pretende fazer um levantamento das melhores práticas a este nível, oferecendo um retrato atualizado sobre corporate social entrepreneurship, que se pretende útil para um leque alargado de atores-chave”, refere Ana Isabel Couto.

“Para criarmos um futuro sustentável, que equacione o domínio do social como ponto de partida para as ações e as decisões, sugerimos também algumas ferramentas”, refere Filipe Castro. Entre elas estão, por exemplo, estudos, manuais e ofertas formativas e pedagógicas, que vão permitir desenhar um curriculum que sirva os propósitos das instituições que desejam formar novos empreendedores sociais que, no futuro, vão operar em diversos contextos empresariais e corporativos.

Dois anos a construir um "futuro social"

Bill O’Gorman, coordenador do EMBRACE, diz que o projeto tem um enorme potencial para transformar as entidades de cada região a voltarem-se mais para o futuro, ajudando-as a “desenvolver as competências do seu staff para que se criem produtos, serviços e processos mais sustentáveis que atendam às necessidades prementes da sociedade”, refere.

“Não temos dúvidas de que o futuro é social”, conclui Filipe Castro, e as aspirações descritas só poderão ser alcançadas se houver um compromisso aberto de colaboração e cooperação entre e hélice quádrupla de atores em qualquer sociedade (Universidades, Empresas, Governo e Sociedade). A base do desenvolvimento de uma sociedade empreendedora inclusiva, colaborativa e socialmente consciente é a Educação.

E é esse o compromisso que assumem os 10 parceiros do EMBRACE. São eles: Waterford Institute of Technology (Irlanda), Vytautas Gediminas Technical University (Lituânia), DRAMBLYS (Espanha), Budapest University of Technology and Economics - BME (Hungria), National School of Political Studies and Public Administration (Roménia), Domhan Vision (Alemanha), Hellenic Management Association (Grécia), Digital Technology Skills Limited (Irlanda), Universidade do Porto (Portugal) e Hanze University of Applied Science (Países Baixos).

Este é um projeto financiado pelo programa Erasmus+ (programa da União Europeia para a educação, juventude e desporto) e termina em dezembro de 2022.