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Câmaras térmicas. Uma violinista. Uma imagem de um corpo colorido em projeção. À partida, nenhum destes temas se relaciona entre si. Mas quando a violinista Ianina Khemelik começa a tocar em interação com uma inovadora tecnologia, o público regozija-se ao observavar as imagens coloridas da temperatura corporal da artista projetadas no ecrã. E tudo graças a uma técnica desenvolvida na Universidade do Porto, mais especificamente na Faculdade de Engenharia (FEUP), numa equipa liderada pelo investigador Joaquim Gabriel Mendes. 

Este espetáculo, que combina a musicalidade de Ianina com a tecnologia das câmaras termográficas, estreou-se na Reitoria da U.Porto, em 2012 e entretanto já passou pela Casa da Música e pelo Palácio da Bolsa. Durante a Gala da Inovação da U.Porto, que decorreu no passado dia 4 de outubro, os participantes puderam ter também um pequeno vislumbre do que acontece durante esta performance de música e cor enquanto escutavam a música com que Ianina Khemelik, utilizando o violino de carbono desenvolvido na na Ideia.M (empresa spin-off da U.Porto), encheu a sala do Museu do Carro Elétrico. Aos comandos do computador esteve António Silva, o primeiro doutorado na FEUP em termografia aplicada à engenharia mecânica.

E afinal o que é esta técnica e para que pode ser utilizada? “A termografia é uma técnica de imagem que permite obter um mapa térmico de um objeto ou pessoa. Uma câmara termográfica mede a radiação infravermelha e converte-a numa imagem colorida”, explica o investigador. E o resultado é uma verdadeira paleta de cores, na qual os tons quentes, como o vermelho ou o laranja, equivalem a temperaturas elevadas e os tons frios, como azul ou roxo, correspondem a temperaturas mais baixas. No caso do espetáculo de Ianina Khemelik, por exemplo, o público pôde testemunhar ao vivo a forma como os contornos do corpo da artista iam mudando de cor consoante a intensidade do esforço físico ao tocar o violino. E, claro, ao mesmo tempo que desfrutavam da música.

E essa informação em forma de cores, como explica Joaquim Gabriel Mendes, além de proporcionar um espetáculo memorável, pode ser muito útil na medicina, nomeadamente na deteção e prevenção de lesões de forma não invasiva e indolor, além de não utilizar “radiação ionizante, sendo por isso inócua para os pacientes”, refere. As câmaras podem também ser utilizadas em “aplicações militares e de segurança, na manutenção industrial ou nos incêndios”, refere Joaquim Gabriel, que assume esta área como crucial para a sua carreira académica. 

Recuemos então no tempo, até à altura em que um jovem de 17 anos, filho de um casal de professores e criado, por isso, sempre em ambiente académico, descobriu uma paixão inesperada pela Engenharia Mecânica, curso que termina 5 anos depois na Faculdade de Engenharia da U.Porto. Os bons resultados obtidos durante o percurso começavam a desenhar já o seu sucesso, tendo vencido o prémio de melhor aluno do curso e contratado depois como bolseiro de investigação na área de instrumentação virtual. Nessa fase da sua vida, Joaquim Gabriel Mendes produziu a primeira aplicação industrial do país a utilizar o software de instrumentação virtual, LabVIEW.

Mas a paixão académica do investigador não se cinge à mecânica, pelo contrário, Joaquim Gabriel desenvolve hoje em dia na FEUP, e desde há muitos anos, uma intensa atividade multidisciplinar, além de ser também docente. Como começou então a investigação no campo da termografia? Corria o ano de 2006 quando propôs o primeiro projeto à Fundação de Ciência e Tecnologia (FCT) numa colaboração entre a FEUP e o Hospital de Santo António para “testar o uso de camaras termográficas em ambiente médico como elemento complementar de diagnóstico”, conta. Quatro anos depois, Miguel Pais Clemente, da Faculdade de Medicina da U.Porto, tem a ideia de utilizar a técnica da termografia durante uma performance musical, combinando a arte com a investigação de uma maneira inovadora. “A beleza das imagens e o seu interesse clínico levam-nos a avançar para uma produção artística original que teve lugar na Reitoria da U.Porto em 2012, espetáculo que foi um marco muito importante pelo seu forte impacto na comunicação social e na divulgação técnica”, refere Joaquim Gabriel. 

Concretizado esse sonho, baixar as mãos nunca foi uma opção para Joaquim Gabriel Mendes, um docente e investigador cheio de projetos futuros: “O problema de ser investigador é que quando alcançamos um objetivo criamos logo outro”, confessa. Atualmente, o seu principal sonho profissional é criar, dentro da U.Porto, um centro de referência europeu na área da termografia médica para nele poder receber e formar médicos e engenheiros de todo o mundo. O trabalho nas câmaras térmicas, segundo Joaquim Gabriel, é para continuar, se possível aliado à medicina. Aliás, ser médico chegou a passar pela cabeça do investigador, que só depois descobriu a termografia e a aceitou de mangas arregaçadas e pronto para colocar mãos à obra: “Quando surgiu o desafio de utilizar câmaras térmicas como elemento complementar de diagnóstico médico decidi aproveitar, e ainda bem, pois hoje somos o grupo mais ativo nesta área em Portugal, e estamos ao nível do melhor que se faz no mundo”, conclui.

Esta notícia é parte da Newsletter #16 da U.Porto Inovação, na rubrica "À conversa com os inventores".