Um “facilitador”, um “espaço criativo”“um lugar onde a magia acontece” e “uma oportunidade única para crescer”.  Estas são apenas algumas das palavras que servem para ilustrar a participação dos estudantes da Universidade do Porto naEuropean Innovation Academy (EIA) 2018, uma “summer school” internacional de aceleração em inovação e empreendedorismo que, ao longo três semanas (15 de julho a 3 de agosto), juntou em Cascais perto de 500 jovens empreendedores universitários, provenientes de 75 países.

Dos 30 estudantes que integraram – com o apoio de bolsas atribuídas pelo Santander Universidades (na foto, à direita) – a maior representação da U.Porto na EIA desde que o evento começou em Portugal (em 2017, ano em que a Universidade também foi premiada), cinco – provenientes das faculdades de Ciências, Economia, Engenharia e Farmácia – estiveram envolvidos  em quatro dos dez projetos premiados. É o caso da Copito, uma ideia de negócio que busca combater um dos maiores problemas da nossa sociedade: os copos descartáveis.

Iolanda Rocha (FCUP) é CEO do projeto Copito, criado para combater o problema dos copos descartáveis.

Iolanda Rocha, estudante da Faculdade de Ciências da U.Porto (FCUP), é a CEO da Copito (equipa na foto, à esquerda) e afirma que a participação na EIA foi fundamental para o desenvolvimento da ideia: “Foi o local onde ideias encontraram pessoas de ação para fazer a magia acontecer. A ideia tornou-se real e palpável”, conta. O projeto, que consiste num copo reutilizável ligado a uma app de companhia que regista os locais onde o consumidor passa, dando-lhe dicas tanto de sustentabilidade como turísticas, recebeu pós-mentoria durante um ano pela European Innovation Academy.

Bárbara Ferreira e Mariana Cardoso, ambas da Faculdade de Economia (FEP), viram também o seu projeto reconhecido. A equipa da qual as estudantes fizeram parte criou, em apenas três semanas, os pilares da empresa Impower (na foto, à esquerda), cuja missão é “devolver independência à comunidade com algum tipo de deficiência, garantindo igualdade no ingresso no mercado de trabalho”, conta a CBO Bárbara Ferreira. Para as estudantes, que garantiram o acesso a um programa de mentoria em gestão durante seis meses por parte da Dybaw Venture Capital, a experiência intensiva não podia ter sido mais positiva. Como revela Mariana Cardoso, na EIA foi possível “aprender muito sobre a abrangência e os limites (quase inexistentes) do empreendedorismo”.

No «top 10» da European Innovation Academy 2018 enocntramos ainda os projetos Navismart – uma plataforma que liga barcos, marinas e serviços, permitindo aos navegadores reservar lugares – e Pause – uma plataforma direcionada a estudantes que tem como principal objetivo destruir os estigmas da saúde mental. Do primeiro projeto fez parte Joana Ferreira, estudante da Faculdade de Engenharia da U.Porto (FEUP) e CTO da Navismart, que acredita poder vir a beneficiar muito da “visibilidade e credibilidade enquanto equipa” resultante deste reconhecimento. A ideia tem como principal objetivo otimizar o tráfego marítimo e as operações portuárias, fornecendo aos donos dos barcos informação em tempo real, e foi premiado com uma entrevista com Alchemist Accelerator e um artigo na Innovation Academy Network.

Já Maria Ferreira é CTO da Pause e descreve a startup como “uma plataforma que conecta os estudantes a pessoas qualificadas, para que possam falar dos problemas que enfrentam, quebrando um pouco o tabu de pedir ajuda para problemas de saúde mental quando ela é necessária. A estudante da Faculdade de Farmácia da U.Porto (FFUP) está otimista em relação ao futuro e acredita que o prémio – cinco horas de mentoria em gestão durante três meses pela HAG Consulting & Ventures – será uma grande ajuda para “estabelecer um modelo de negócio coerente e sólido”.

Todas as equipas de trabalho envolvidas nos projetos desenvolvidos durante a EIA 2018 integraram pessoas de várias universidades, potenciando assim a troca de experiências entre culturas. Um facto realçado por Hélder Vasconcelos, Vice-Reitor da U.Porto para as Relações com empresas, inovação e empreendedorismo, para quem “o envolvimento da Universidade neste programa reveste um caráter estratégico, sendo que permite distinguir os seus estudantes mais vocacionados para o empreendedorismo, enquanto lhes possibilita a integração em equipas com outros estudantes das melhores universidades do mundo”. Também por isso, “é um enorme orgulho para toda a comunidade académica da U.Porto que os nossos tenham integrado equipas finalistas desta competição”, remata o responsável.

A European Innovation Academy 2018  terminou a 3 de agosto com a cerimónia de entrega de prémios. A organização do evento espera manter a EIA em Portugal até 2022.